A esofagite eosinofílica (EoE) é uma doença crônica imunomediada do esôfago, caracterizada por inflamação por eosinófilos, desencadeada por alérgenos alimentares ou ambientais em indivíduos geneticamente predispostos. Afeta principalmente homens brancos com histórico de atopia (asma, rinite alérgica, eczema ou alergias alimentares).
Sintomas
Os sintomas variam por idade:
- Em crianças maiores e adolescentes → azia, dor abdominal, regurgitação e dificuldade para engolir.
- Em adultos → disfagia (dificuldade progressiva para deglutir sólidos), impactação alimentar (alimento preso no esôfago) e dor torácica.
A doença pode progredir para fibrose e estreitamento esofágico se não tratada.
Diagnóstico
Conforme diretrizes da American College of Gastroenterology (ACG, 2025), o diagnóstico requer:
- Sintomas de disfunção esofágica.
- ≥15 eosinófilos por campo de alta potência em biópsias esofágicas.
- Exclusão de outras causas (como DRGE ou infecções).
Realiza-se endoscopia digestiva alta com biópsias múltiplas (pelo menos 6 amostras de pelo menos 2 níveis esofágicos). Achados endoscópicos incluem sulcos, anéis, exsudatos brancos e edema, mas não são obrigatórios para o diagnóstico. Não é mais necessário teste prévio com inibidores da bomba de prótons (IBP) para diferenciar de DRGE.
Tratamento
As opções terapêuticas visam induzir remissão histológica (<15 eosinófilos/HPF), aliviar sintomas e prevenir complicações fibro-estenóticas (diretrizes ACG 2025):
- Inibidores da bomba de prótons (IBP) — recomendados como terapia inicial (ex.: omeprazol em dose alta por 8 semanas), eficazes em parte dos pacientes.
- Esteroides tópicos — preferenciais (budesonida ou fluticasona em formulação para deglutição, não inalação), com alta taxa de remissão.
- Dieta de eliminação empírica — exclusão dos principais alérgenos (leite, trigo, ovo, soja, nozes, peixe/mariscos); opções incluem dieta de 6, 4 ou 2 alimentos. Envolve reintrodução guiada e acompanhamento nutricional.
- Terapia biológica — dupilumab (
anticorpo monoclonal anti-IL-4/IL-13) é recomendado para pacientes refratários ou com comorbidades atópicas múltiplas. - Dilatação esofágica — indicada em estenoses sintomáticas ou fibrose estabelecida, geralmente após controle inflamatório.
Consulte um gastroenterologista ou alergista para avaliação personalizada.
Dr. João Ricardo Duda
CRM-PR 22961
RQE 15345
