Hernia de Hiato

A hérnia de hiato ocorre quando parte do estômago desliza para o tórax através do hiato esofágico, uma abertura no diafragma por onde passa o esôfago. Existem dois tipos principais:

  • Tipo I (deslizante): a mais comum (cerca de 95% dos casos), em que a junção esôfago-gástrica migra para cima do diafragma. Está associada à doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), permitindo o refluxo de ácido.
  • Tipos II a IV (paraesofágicas): menos frequentes, mas mais graves, em que parte do estômago “rola” ao lado do esôfago, ou grandes porções do estômago ascendem ao tórax, com risco de complicações como volvo gástrico, isquemia ou estrangulamento.

Muitas hérnias de hiato são assintomáticas e descobertas incidentalmente. Quando sintomáticas, os principais sintomas incluem:

  • Azia (pirose) e regurgitação
  • Queimação retroesternal
  • Dor torácica
  • Dificuldade para engolir (disfagia)
  • Tosse crônica ou sintomas respiratórios


Tratamento

O tratamento inicial é conservador, com medidas como:

  • Mudanças no estilo de vida (elevação da cabeceira da cama, evitar refeições tardias, perda de peso)
  • Inibidores da bomba de prótons (IBP) para controle do refluxo


Indicações para Correção Cirúrgica

  • SAGES (2024): recomenda o reparo cirúrgico para hérnias paraesofágicas (tipos II-IV), preferencialmente com fundoplicatura antirrefluxo, mesmo em pacientes assintomáticos ou minimamente sintomáticos aptos para cirurgia, devido ao risco de progressão e complicações agudas. Para hérnias tipo I, não indica reparo isolado sem sintomas de refluxo.
  • Sociedade Brasileira de Hérnia (SBH, 2023): enfatiza o tratamento em centros especializados para hérnias grandes/gigantes, com abordagem laparoscópica preferencial e observação possível em pacientes frágeis assintomáticos.
  • ACG (2022, para DRGE): cirurgia anti refluxo (fundoplicatura associada ao reparo hiatal) é indicada em casos de DRGE comprovada com sintomas refratários a tratamento clínico otimizado, complicações (esôfago de Barrett, estenose) ou preferência do paciente por evitar medicação crônica.

A abordagem minimamente invasiva (laparoscópica ou robótica) é o padrão, com excelentes resultados em centros experientes.

Dr. João Ricardo Duda
CRM-PR 22961
RQE 15345