O câncer colorretal é um dos mais comuns e preveníveis, graças ao rastreamento precoce que detecta e remove pólipos pré-cancerosos. A maioria dos casos surge de pólipos adenomatosos, e a remoção deles durante exames reduz significativamente o risco.
Antes de se preocupar, avalie seus fatores de risco com um coloproctologista ou gastroenterologista. Mesmo sem sintomas, o rastreamento é essencial a partir dos 45 anos para pessoas de risco médio (diretrizes ACG, USPSTF e ACS, vigentes em 2025).
Principais Fatores de Risco
- Idade acima de 45 anos (risco aumenta progressivamente; mais comum após 50 anos).
- História familiar de pólipos ou câncer colorretal (risco dobra com parente de primeiro grau afetado antes dos 60 anos ou múltiplos parentes afetados).
- Síndromes hereditárias, especialmente a Síndrome de Lynch (câncer colorretal hereditário não polipose), responsável por 3-5% dos casos. Está associada a mutações em genes de reparo de DNA (MLH1, MSH2, MSH6, PMS2 ou EPCAM) e aumenta o risco não só de câncer colorretal, mas também de endométrio, ovário, estômago, intestino delgado e vias urinárias.
- Doenças inflamatórias intestinais (colite ulcerativa ou doença de Crohn).
- Estilo de vida: dieta rica em carnes vermelhas/processadas, baixa em fibras, frutas e vegetais; obesidade; sedentarismo.
- Tabagismo e consumo excessivo de álcool.
- Homens apresentam risco ligeiramente maior que as mulheres.
Quando Considerar Teste Genético para Síndrome de Lynch?
De acordo com diretrizes NCCN e ACG (2025), o teste genético deve ser avaliado nos seguintes casos:
- Diagnóstico de câncer colorretal antes dos 50 anos.
- Múltiplos cânceres colorretais ou relacionados à Lynch em um mesmo indivíduo.
- História familiar que atenda critérios revisados de Bethesda ou Amsterdam (ex.: ≥3 parentes com cânceres Lynch-associados, um deles parente de 1º grau, afetando ≥2 gerações, com pelo menos um diagnóstico <50 anos).
- Tumor colorretal com instabilidade de microssatélites alta (MSI-H) ou perda de expressão de proteínas de reparo por imuno-histoquímica (realizado rotineiramente em tumores diagnosticados).
O teste inicial é geralmente a análise do tumor (IHQ/MSI); se sugestivo, prossegue-se para teste germinativo em sangue ou saliva. Em famílias confirmadas com Lynch, o rastreamento começa mais cedo (colonoscopia a partir dos 20-25 anos, anual ou bienal) e inclui outros órgãos.
Medidas preventivas incluem dieta rica em fibras, atividade física regular, manutenção de peso saudável, evitar tabaco e limitar o álcool.
Pólipos Colorretais
Pólipos são crescimentos anormais na mucosa do cólon ou reto, frequentemente assintomáticos. A maioria é benigna, mas tipos adenomatosos podem evoluir para câncer ao longo de anos. Durante a colonoscopia, pólipos são removidos (polipectomia), prevenindo o câncer em até 90% dos casos.
Rastreamento Recomendado
Para risco médio, inicie aos 45 anos. Opções incluem:
- Colonoscopia → padrão ouro; a cada 5-10 anos se normal. Permite detecção e remoção de pólipos no mesmo procedimento.
- Teste imunoquímico fecal (FIT) → anual; não invasivo, detecta sangue oculto.
- Teste de DNA fecal → a cada 3 anos.
Em caso de risco elevado (história familiar, síndromes hereditárias ou DII), inicie mais cedo e com intervalos menores. Consulte um especialista na Clínica Endoskope para avaliação personalizada, incluindo aconselhamento genético quando indicado.
Dr. João Ricardo Duda
CRM-PR 22961
RQE 15345
