Constipação Intestinal Crônica

A constipação intestinal crônica define-se por: menos de 3 evacuações espontâneas completas por semana, associadas a esforço excessivo, fezes endurecidas, sensação de evacuação incompleta ou bloqueio anorretal em pelo menos 25% das defecações, por mais de 3 meses, com início há pelo menos 6 meses.

Pode ser primária (idiopática) ou secundária a diversas causas, incluindo:

  • Erros dietéticos (baixa ingestão de fibras ou líquidos)
  • Sedentarismo
  • Medicamentos (opiáceos, anticolinérgicos, suplementos de ferro)
  • Distúrbios funcionais do assoalho pélvico (dissinergia defecatória)
  • Doenças neurológicas (Parkinson, lesões medulares)
  • Endócrinas (hipotireoidismo, diabetes)
  • Obstrutivas (tumores, estenoses)


Avaliação

Iniciar com história clínica detalhada e exame físico (incluindo toque retal). Excluir sinais de alarme (sangramento retal, anemia, perda de peso involuntária, história familiar de câncer colorretal) que indicam colonoscopia urgente.


Tratamento

Siguir abordagem escalonada conforme diretrizes conjuntas AGA/ACG (2023) para constipação idiopática crônica:

  1. Medidas não farmacológicas — Aumente fibras solúveis (20-30 g/dia, preferencialmente psyllium), ingestão hídrica (>1,5-2 L/dia), atividade física regular e hábitos evacuatórios (responder ao reflexo defecatório, horários fixos).
  2. Laxativos osmóticos — Polietilenoglicol (PEG) como primeira linha (evidência forte).
  3. Suplementos — Óxido de magnésio ou senna .
  4. Secretagogos intestinais — Linaclotida, plecanatida ou lubiprostona em casos refratários (no Brasil não dispomos).
  5. Outras opções — Bisacodil ou picossulfato de sódio como resgate; prucaloprida em selecionados; simbióticos.
  6. Terapias especializadas — Biofeedback/fisioterapia anorretal para dissinergia do assoalho pélvico.

Evite uso crônico de laxativos estimulantes. Consulte gastroenterologista ou coloproctologista para avaliação individualizada e exclusão de causas secundárias.

Dr. João Ricardo Duda
CRM-PR 22961
RQE 15345