As diretrizes da British Society of Gastroenterology (BSG) para investigação de diarreia crônica em adultos (3ª edição, 2018) permanecem as referências principais até 2025.
Avaliação Clínica Inicial
- Histórico detalhado e exame físico.
- Triagem com hemograma (excluir anemia), testes para doença celíaca e calprotectina fecal (marcador de inflamação).
- Considere diagnóstico positivo de Síndrome do Intestino Irritável (SII) predominante diarreica após exames básicos negativos.
- Teste combinado para Clostridioides difficile em casos de risco.
Exclusão de Câncer ou Inflamação
- Colonoscopia em pacientes com alteração persistente do hábito intestinal, com ou sem sangramento retal, para excluir câncer colorretal.
- Teste imunoquímico fecal (FIT) para sangue oculto como triagem e priorização em diarreia crônica sem sangramento visível.
- Calprotectina fecal ajuda a diferenciar SII de doença inflamatória orgânica em pacientes < 40 anos.
Avaliação Secundária
- Investigação adicional se sintomas persistirem apesar de tratamentos iniciais.
- Exames para má absorção, infecções e causas pancreáticas, especialmente em idosos ou imunossuprimidos.
Distúrbios Comuns
- Em SII ou diarreia funcional, considere diarreia por ácidos biliares (teste SeHCAT, quando disponível; alternativa: precursor sérico 7α-hidroxi-4-colesten-3-ona, não rotineiro no Brasil).
- Colonoscopia com biópsias (cólon direito e esquerdo) para excluir colite microscópica.
Má Absorção
- Teste empírico de restrição à lactose ou carboidratos se suspeita de intolerância.
- Enterografia por RM ou cápsula endoscópica para avaliar intestino delgado.
- Dosagem de elastase fecal para suspeita de insuficiência pancreática.
- RM pancreática (preferível à TC) em suspeita de pancreatite crônica.
- Tratamento antibiótico empírico para suspeita de supercrescimento bacteriano, ou testes respiratórios.
Essas recomendações priorizam abordagem escalonada, evitando investigações desnecessárias e focando na exclusão de causas graves.
Dr. João Ricardo Duda
CRM-PR 22961 RQE 15345
